A importância do Controle na Gestão

Área de Atuação: Controladoria Estratégica

Com o advento da legislação sobre Nota Fiscal Eletrônica (e-NF), SPED (Sistema Público de Escrituração Digital) Fiscal, SPED Contábil, Certificado Digital (RFB 969), aliado aos avanços no campo do sigilo fiscal e bancário, está ocorrendo uma revolução digital onde menos se esperava nas empresas brasileiras: na Contabilidade.

A Contabilidade no Brasil sempre foi um objeto folclórico nas organizações, sejam elas pequenas ou grandes. Havia, e infelizmente ainda existe, aquela velha piada onde o personagem encarnado por um contador pergunta ao esperto empresário quanto ele (empresário) quer que a empresa apresente de resultado.

Fraudes contábeis ocorreram de maneira vergonhosa e alguns eventos tornaram-se notórios, infelizmente, pelo lado inglório. Na outra ponta, o Brasil sempre foi um celeiro fértil de grandes nomes do pensamento contábil contemporâneo. Eliseu Martins, Sérgio de Iudícibus, José Carlos Marion e Antonio Lopes de Sá são estrelas de grande potência que enobrecem a profissão. Por outro lado, como em todo ramo, há um punhado de profissionais com péssima formação, não só acadêmica como também e, sobretudo a de natureza ética e moral.

Estes é que pintaram a Contabilidade com esse contorno pitoresco, aliado a um arcabouço legal que aprisionava uma “ciência” em um cubículo pálido de caráter fiscal.

As leis 11.638 e 11.941 conseguiram dar uma nova roupagem à Contabilidade: ela deixará de ser vista pela sua forma e a essência ganhará força e destaque. Resumo: quem entende de Contabilidade continuará, quem não compreendeu o que vem a ser esta “ciência”, não poderá continuar neste campo. Eis um bom efeito do que se convencionou a denominar de globalização.

Mas há choradeira. O Brasil é um país interessante. Invés das empresas perseguirem a dianteira rumo ao crescimento e desenvolvimento contínuos; o que se vê, em muitos casos, é que elas somente se moveram em função de exigências legais. Há cerca de 20 anos elas começaram um processo mal conduzido até hoje rumo à qualidade, suportado pelas regras ou normas da ISO. Todavia tal movimento se deu por pressão de fornecedores e/ou clientes. Não foi por motivação interna. Este é o verdadeiro problema das organizações brasileiras: o temor em errar, em largar na dianteira, em ousar.

Oxalá chegue o dia em que as empresas nacionais sejam ousadas. Neste dia, quem sabe, poderemos efetivamente nos orgulhar de nosso parque fabril e, mais, das pessoas que são responsáveis pela condução dos negócios.

Desde os tempos da teoria clássica da administração, diante do aumento do volume de bens e recursos, discute-se o problema de controlar a empresa de forma mais objetiva. Só para recordar, esta preocupação girava na cabeça dos homens de negócio do final do século XIX. Henry Fayol, um dos pioneiros do estudo da empresa de modo científico, caracterizou a função controle, como uma das funções da administração: planejar, organizar, coordenar, comandar e controlar, todas elas inseridas na grande função administrativa.

A questão continuou a ser discutida e ganhou contornos mais amplos na fase da administração por objetivos (APO), liderada por Peter Drucker, que embora não se caracterize como uma escola da administração, tem por princípios o estabelecimento de objetivos, de forma participativa com a promoção a avaliação do desempenho das pessoas.
Por consequência, encontra-se nos ensinamentos da administração, expressivo detalhamento a respeito do planejamento, do controle e dos sistemas de informações.

A Contabilidade, desde o século XVI, vem se preocupando (sistemática e cientificamente) com o desenvolvimento de controles para medir a eficiência das empresas.

A própria NIA 400 (Norma Internacional de Auditoria) que reza sobre controle interno, aponta 5 pontos importantes que devem ser observados:

1. O Sistema de Controle Interno abrange:
- Atitude e consciência dos diretores e administradores com relação à importância dos sistemas de controle para a entidade;
- Procedimentos de controle: análise, revisão, controle efetivo e aprovação dos documentos e dos procedimentos internos;

2. Limites Inerentes dos Controles Internos:
- Exigência da administração por sistemas de “baixo custo”;
- O potencial de erro humano;
- “Sabotagem” do sistema por elementos internos e/ou externos à entidade;
- Possibilidade de que os procedimentos de controle se tornem inadequados ao longo do tempo devido a mudanças nas condições e/ou obsolescência;

3. Entendimento dos Sistemas de Controle Interno:
- Objetivo inicial: avaliar o Risco de Controle;
- Objetivo final: desenvolver o Plano de Auditoria;
- Método: seguir algumas transações (típicas e atípicas) através de todo o sistema contábil, avaliando sua eficácia e as atitudes, consciência e medidas dos diretores e da administração quanto aos controles internos e sua importância para a entidade;
- Documentação: papéis de trabalho;

4. Risco de Auditoria: pequenas empresas x grandes empresas
- Muitos controles internos que seriam relevantes para entidades grandes (grande segregação de funções) não são práticos em pequenas empresas (grande concentração de funções = limitação de segregação);
- Quando a segregação de funções é limitada, é possível que a auditoria seja realizada totalmente por procedimentos de comprovação;

5. Comunicação de Fraquezas
- Quando constatadas pelo auditor, deverão ser levadas ao conhecimento da administração no seu tempo adequado e em nível apropriado de responsabilidade;
- Deve ser feita por escrito (relatórios, papéis de trabalho e outros documentos);
- Deve ser salientado no relatório que somente as fraquezas que chegaram ao conhecimento do auditor como resultado da auditoria estão sendo informadas e que o exame não foi projetado para determinar a adequação do controle interno para fins administrativos, dado que foi executada uma auditoria contábil.

Enfim, cabe ao empresário decidir organizar a sua empresa da forma que melhor lhe dê resultados. Porém, como recomendação, sabe-se que as empresas de ponta são também as que têm os melhores sistemas de controle. E controles devem ser técnicos, não podem ser orientados conforme a necessidade de leitura e interpretação, sobretudo no que diz respeito às normas de aferição de resultados e apuração de valor.

Por experiência como consultor em finanças, afirmo que este tem sido o desafio maior: demover os empresários a enxergarem o resultado de modo tortuoso e errado. Não se pode ir contra a ciência em detrimento da manutenção de um contrato de consultoria.  Isso tem um nome: ética !

Artigo postado por: Everton Carsten da Rosa
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